Mensagens e estudos cristão, como tema central a mensagem do Evangelho de Jesus Cristo. Corrente teológica: trinitária, pentecostal, não reformada, escatológica futurista.
terça-feira, 13 de novembro de 2018
Comentário de Filipenses 2.13
Antes, precisamos reafirmar que Deus não determina a salvação de nenhum homem (2Tm 2.11-13; 2 Pe 3.9). A salvação de um indivíduo não está atrelada a um decreto incondicional, como se Deus desse a uns incondicionalmente todos os meios para a salvação, produzindo nos tais, independente da resposta humana, a vontade e o realizar do seu propósito. É verdade que a humanidade está morta em delitos e pecados, mas enquanto viva fisicamente, pode ter prazer na lei de Deus (Rm 7.22-23) e entender os justos decretos de Deus (Rm 1.32); possui a Lei moral escrita no coração (At 28.2-4; Rm 2.14-16) e pode temer a Deus mesmo não conhecendo Jesus (At 10.1-2; 11.14). E o que também sabemos pelo relato das Escrituras é que homens podem serem visitados por anjos (At 10.3; 23.9); e se comunicarem com Deus em sonhos (Gn 20.6-7); e cumprirem conscientemente os propósitos de Deus (Ed 1.2-4). E isso independente de serem salvos. Tal possibilidade desmente a falácia de que só os vivos "espirituais" ouvem a Deus e entendem a Deus. Se uma baleia obedeceu a Deus, um humano não é capaz de reconhecer seu criador?( Is 1.2,3; 65.1-2; Rm 10.20-21).
O versículo treze é precedido pelo doze que contém um ordem: "ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor"(NVI). Pois Paulo desde 1.27 vem preceituando os irmãos de Filipos quanto às suas obrigações. Tal expressão, portanto, indica encarnar as verdades do evangelho; "trazer para a vida prática" os princípios de Deus; e obedecer as ordens de Cristo dadas pelo apóstolo porque é Deus quem "efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele"(v.12). Isto é, Deus tem nos dado todas as coisas necessárias para a "vida e para piedade" (2Pe 1.3). Como um funcionário novo numa empresa que recebe todos os equipamentos de proteção individual (EPIs) e passa por um treinamento interno. Ele tem todo o necessário para começar a trabalhar.
Deus é poderoso para nos preservar irrepreensíveis para o dia de Cristo (1Co 1.8,9) e ele nos conservará assim, contanto que não desistamos de lutar até o último dia (1Co 9.26,27; Fp 3.10-14). Não há nenhum precedente bíblico que nos transmite a garantia de uma salvação incondicional, sem que a desejemos ansiosamente (Hb 9.28).
Os reformados não explicam como Deus agi na vontade do homem. Também concordam que, no que diz respeito à salvação, o homem por si só não pode provê-la. É dom de Deus. Mas não é bíblico sustentar que o homem só pode crer ao receber vida de Deus, porque na ordem das coisas a fé precede a vida e o arrependimento e o dom do Espírito. A fé também é precedida pela palavra de Cristo (Rm 10.17).
O homem que possui o temor de Deus, ao ouvir a palavra de Cristo, ou responde com fé ou com incredulidade. Sem temor não há confiança e sem confiança não há salvação.
É interessante que Paulo nas sinagogas sempre se dirigia aos "irmãos e pais" (os judeus) e aos varões "tementes a Deus" (os gentios que frequentavam as sinagogas para ouvir os ensinamentos da Lei dos profetas At 13.16,26). Os judeus eram tementes a Deus, pelo menos por seu zelo; e o gentios, que amavam os judeus, se aproximavam deles porque temiam também a Deus. Paulo não se concentraria em evangelizar homens escarnecedores e irreverentes (At 17.32,33). Este é um ponto importante a considerar como sendo um pressuposto básico para a salvação. As pessoas que vem normalmente à igreja vêm graças ao temor. Isso não significa que o temor por si só é garantia de salvação. É somente a obra de Cristo que salva. Cornélio era um varão temente a Deus, um devoto. Mas ainda não era salvo. Não tem como por em ação a salvação de Deus sem o "temor e tremor".
Operar o querer (volição/ vontade) e o efetuar (realizar/ por em ação) não é necessariamente um poder sobrenatural atuando irresistivelmente no coração e mente das pessoas; mas sim um poder de convencimento e constrangimento. Deus agi por convencimento (Jo 16.8) e constrangimento (2Co 5.14). Pois Deus criou o homem e sabe como a natureza do homem funciona. Somos seres influenciáveis e reagimos a estímulos externos e temos conflitos internos.
A misericórdia de Deus sobre os gentios e percebida pelos judeus incrédulos será o elemento provocador de ciúmes que, por sua vez, os levará à salvação. Deus pode provocar ciúmes no homem e incitá-lo à emulação (inveja) com propósitos positivos e benignos, para a salvação (Rm 10.19; 11.11,13-14). A generosidade dos irmãos de Acaia estava estimulando muitos crentes no serviço assistencial aos santos (2Co 9.2)- os irmãos de outra região estavam contribuindo financeiramente por causa do exemplo dos crentes de Acaia. Pois é normal sermos constrangidos em nossa mesquinhez pela generosidade espontânea de uma pessoa. É assim que Deus faz muitas vezes conosco, ao colocar pessoas transformadas em nosso convívio para que sejamos confrontados no caráter a fim de mudarmos.
As prisões de Paulo tiraram os irmãos da inércia e foi uma fonte de encorajamento para que muitos deles pregassem o evangelho aos perdidos (Fp 1.13-14). Não há dúvida de que Deus estava agindo por detrás disto.
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