Mensagens e estudos cristão, como tema central a mensagem do Evangelho de Jesus Cristo. Corrente teológica: trinitária, pentecostal, não reformada, escatológica futurista.
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
A Lei de Moisés e a justiça pela fé
Paulo nunca ensinou que Deus traçou dois caminhos diferentes de salvação: uma para os judeus – a lei; e outro para os gentios – o evangelho de Jesus Cristo. Pelo contrário, o caminho é um só, “Jesus Cristo”, que oferece justiça para todo aquele que nele crê. Primeiro para o judeu (porque a salvação vem dos judeus; e depois para os gentios (Jo 4.22; Rm 1.16) porque Deus exerceu sua misericórdia também sobre os gentios (Rm 9.23-24; 11.28-32).
O apóstolo dos gentios prova pelas Escrituras que mesmo antes da Lei a fé era o caminho para a justiça requerido por Deus, pois Abraão alcançou testemunho de justiça por crer em Deus e em suas promessas (Gl 3.16-25). O autor da carta aos Hebreus elenca um grupo de homens que foram justificados por sua fé antes de Abraão: Abel, Enoque e Noé (Hb 11.4-7,33,39). Ou seja, do começo ao fim, o caminho para a justiça de Deus sempre foi a confiança (Rm 1.17). E é no evangelho que se descobriu tal justiça, de fé em fé; embora a própria Lei e os profetas tenham dado testemunho a cerca dela (Rm 3.21), mas ainda assim, a justiça proveniente de Deus é independente da Lei.
A tentativa de percorrer um caminho para justificação por meio da guarda da Lei está fadada ao fracasso porque é à parte da Lei que Deus justifica as pessoas, isto é, pela fé em Jesus. Quem quer ser justo pela guarda da Lei ignora o próprio objetivo da Lei, que Paulo tanto ressaltou – tornar culpado a todos: judeus e gentios (Rm 3.19-20; 5.13,20; 7.7; 1Co 15.56; Gl 3.19). Querer alcançar um status de justo perante Deus por meio do esforço próprio é o mesmo que tratar um câncer com remédio para resfriado. A Lei é santa, justa, boa e espiritual, mas veio para atender outro propósito de Deus (Rm 7.12,14). No entanto, os judeus fizeram da Lei de Moisés seu meio de justiça (Rm 10.1-13).
A Lei de Moisés propunha justiça e vida para aquele que cumprisse tudo o que ela ordenasse (Lv 18.5; Rm 10.5; Gl 3.10-14); mas por causa da fraqueza humana (Rm 7.5; 8.3) ninguém obteria tal justiça e vida. Tanto que Paulo propôs o seguinte desafio aos Gálatas que queriam ser circuncidados por influência dos judaizantes: “Ouçam bem o que eu, Paulo, lhes digo: Caso se deixem circuncidar, Cristo de nada lhes servirá. De novo declaro a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a cumprir toda a lei” (Gl 5.2-3). É como se o apóstolo deixasse claro para eles que, por meio da Lei, eles fracassariam, pois não teriam condições de viver dentro de todas as exigências da Aliança do Sinai: “Já os que são pela prática da lei estão debaixo de maldição, pois está escrito: "Maldito todo aquele que não persiste em praticar todas as coisas escritas no livro da Lei". É evidente que diante de Deus ninguém é justificado pela lei, pois "o justo viverá pela fé"(Gl 3.10-11). Interessante notar que Paulo expôs a hipocrisia daqueles que pregavam a circuncisão para os irmãos da Galácia: “Nem mesmo os que são circuncidados cumprem a Lei; querem, no entanto, que vocês sejam circuncidados a fim de se gloriarem no corpo de vocês” (Gl 6.13).
O caminho para justiça e vida para todos é o da fé em Jesus. Tal verdade ia contra tudo o que os mestres da Lei ensinavam aos judeus (Jo 5.39,40). O legalismo, muito forte nos dias de Jesus e dos apóstolos, consistia-se na guarda da Lei para justificação, como meio de obtenção de méritos perante Deus. Não só a Lei Escrita de Moisés era observada, mas também a Lei Oral, que conhecemos como a tradição dos anciãos ou os ensinamentos dos sábios de Israel. Como se não bastasse os 613 mitzvóh (mandamentos da Lei de Moisés), ainda terem que observar uma série de regras, preceitos e leis de homens como se tais preceitos fossem a palavra de Deus; muitos deles inventados para invalidarem as Leis de Deus (Mc 7.1-13). Eram esses os fardos pesados, colocados sobre o povo, que os fariseus ensinavam, sendo nem eles mesmos capazes de carregar a que Jesus se referiu em Mateus 23.4.
Quando falamos da Lei de Moisés como não tem domínio sobre nós mais, essa verdade é apresentada por Paulo detalhadamente em Romanos 6 e 7. Depreendemos dela que, pelo fato de Cristo ter cumprido todas as exigências dos mandamentos de Deus e ter morrido na qualidade de justo, morreu definitivamente para a Lei. Portanto, a Lei não tem mais domínio sobre ele. Com efeito, ao ter ressuscitado ao terceiro dia, a morte também não tem mais domínio sobre ele. É por isso que todo aquele que nele crê, se acha unido a ele em sua morte e ressurreição. Morremos com Cristo para sermos doutro, a saber, de Cristo, afim de darmos frutos para Deus. Se a Lei não tem domínio mais sobre Jesus, por que então terá domínio sobre aqueles que estão em Jesus, em união com ele pela fé?
Em suma, essa é a base da nossa fé. É aqui devemos nos apoiar. É nesse sentido que nossa dívida foi cancelada pela morte de Jesus. Não estamos mais ligados à Lei de Moisés porque morremos com Cristo. Não é a Lei que morreu para o crente, mais sim o crente que morreu para a Lei com Cristo. No entanto, o cristão que vive pelo Espírito não está inclinado a fazer as coisas contrárias à Lei de Deus, pois a Lei é boa, santa e justa (Gl 5.22). O Espírito coloca o crente numa dimensão espiritual muito elevada, onde o salvo passa a ser capacitado pelo Espírito a fazer as coisas que Deus se agrada por amor e fé. Servimos a Deus em Espírito e não mais na velhice da letra como diz a Escritura. Amar ao próximo é uma possibilidade do crente que vive no Espírito, o que não é verdade para os que estão separados de Cristo e, portanto, debaixo da Lei.
OS JUDEUS CRENTES EM JESUS ESTÃO LIVRES OU OBRIGADOS A CUMPRIR A LEI DE MOISÉS?
No corpo de Cristo não há judeu nem gentio, conforme a Escritura (Gl 3.28). Os ensinamentos de Paulo, na carta aos Romanos, aplicam-se também aos judeus (Rm 1.14-17). O autor expõe de modo veemente a relação que aqueles que foram batizados em Jesus tem com a Lei – de morte, pelo corpo de Cristo. No que diz respeito à circuncisão, o apóstolo também diz que ela só tem valor se guardamos toda a lei (Rm 2.25-27; Gl 5.3). E diz que a verdadeira “circuncisão é a operada no coração, pelo Espírito, e não pela Lei escrita. Para estes o louvor não provém dos homens, mas de Deus” (v.29, NVI).
Timóteo só foi circuncidado por causa dos judeus da região onde ele acompanharia a Paulo; e não por causa da Lei de Moisés, como se o apóstolo estivesse debaixo dela (At 16.3). Enfim, os judeus não estão obrigados à persistirem na Aliança do Sinai, a menos que queiram permanecer sob a maldição dela (Gl 3.10). Paulo, na qualidade de judeu legítimo, com todas as credencias – carnais e espirituais, não iria escrever aos gentios regras que não serviam para ele. Não é de se admirar que o judeu de judeu declarou-se em liberdade junto com os crentes gentios (Gl 2.4-5; 1Co 919-23).
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