A vida simples de Jesus pode ser usada para desfazer muitos equívocos adventistas. Temos o testemunho do próprio autor do evangelho de João, de que Jesus não guardava o sétimo dia: "João 5: 17. Mas Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. 18. Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus".
Este relato é incontestável, e eles não podem negar que aqui é o próprio João, discípulo íntimo de Jesus que está dizendo que nosso Senhor Jesus violava o sábado. Não são os judeus ou os fariseus que estão dizendo que Jesus não guardava o sábado, mas sim o discípulo do amor. João era bem específico quanto a reproduzir os fatos sobre Jesus e não confundia seus leitores (Jo 21.23-24).
Mas podia Jesus violar o sábado e ainda assim declarar que veio para cumprir a Lei de Deus?
Vamos analisar outro texto bíblico:
Mateus 12: 1. Naquele tempo passou Jesus pelas searas num dia de sábado; e os seus discípulos, sentindo fome, começaram a colher espigas, e a comer. 2. Os fariseus, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos estão fazendo o que não é lícito fazer no sábado. 3. Ele, porém, lhes disse: Acaso não lestes o que fez Davi, quando teve fome, ele e seus companheiros? 4. Como entrou na casa de Deus, e como eles comeram os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem a seus companheiros, mas somente aos sacerdotes? 5. Ou não lestes na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa? 6. Digo-vos, porém, que aqui está o que é maior do que o templo. 7. Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios, não condenaríeis os inocentes. 8. Porque o Filho do homem até do sábado é o Senhor''.
O serviço no templo violava a lei do sábado (v.5), mas os sacerdotes acabavam ficando sem culpa; e Jesus se declara maior que o templo, portanto incupavel ao violar o sábado. Se o que era menor que Jesus violava o sábado e ficava sem culpa, quanto mais sem culpa ficaria aquele que se declarou maior que o templo e Senhor do Sábado. Dizer que Jesus não violava o sábado é contrariar a Palavra para sustentar suas conveniências doutrinárias. O serviço de Jesus, seu ministério, suas necessidades e as dos seus discípulos tinham prevalência sobre o sábado. Tanto que seus discípulos fizeram algo que não era lícito fazer no sábado "colher espigas, debulhar grãos", pois tudo isso tinha de ser feito, segundo a Lei, um dia antes do sábado, no dia da preparação. Mas seus discípulos demonstraram desorganização em suas provisões alimentares [e isso não era novidade "Quando os discípulos passaram para o outro lado, esqueceram- se de levar pão"(Mt 16.5)], se é que eles tinham tempo para se organizarem a fim de observarem o mandamento.
Estava muito evidente nos evangelhos que Jesus não guardava o sábado, tanto pelo testemunho de João como também pelo testemunho dos fariseus: "João 9: 16. Por isso alguns dos fariseus diziam: Este homem não é de Deus; pois não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles". A vida de Jesus comprovava a violação ao mandamento do sábado, pois não há relatos dizendo que Jesus repousava conforme o mandamento no sábado, antes, curas, milagres e ensino eram realizados também no dia de sábado. Jesus não tinha repouso. Ele descansava nos intervalos do dia, durante a noite. Tudo o que ele fazia nos dias comuns ele fazia no sábado. Ou os adventistas podem provar o contrário?
Se Jesus não guardava o sábado e ficava sem culpa por que vários judeus convertidos repousavam no sábado? Judeus zelosos da lei não iriam trocar o sábado por outro dia de repouso. Além do mais eles guardavam a tradição dos antigos, inclusive o mandamento do sábado. Vários textos do NT mostram os irmãos e os apóstolos se reunindo aos sábados em sinagogas, mas isso é registro cultural, de uma tradição passada pelos antigos e pela Lei. Não são provas de que o mandamento sabático era para ser observado por povos de outras culturas. Paulo por exemplo ia aos sábados às sinagogas porque era o dia de adoração dos judeus e ele tinha um dever pessoal de pregar o evangelho, primeiramente, a judeus. Os adventistas adoram usar essas passagens como prova de que o mandamento era não só observado, como necessário, como um dia de memorial da criação e o mais adequado para se adorar a Deus.
Como o evangelho nasceu em Jerusalém, é óbvio que ao se propagar ao mundo viria, inevitavelmente, embrulhado em muitas tradições e costumes judaicos. Mas Paulo, na condição de apóstolo dos gentios teve o cuidado de remover tudo o que seria irrelevante para a fé dos gentios como dias de observância, regras alimentares judaicas, festas judaicas, pactos na carne (circuncisão). É só lermos sem preconceito as suas cartas aos Colossenses, Gálatas, Filipenses, Romanos, Coríntios etc. Tudo isso teve seu cumprimento em Jesus. Agora esses elementos exteriores, geográficos, de calendários eram pobres, fracos, e sem valor em comparação ao conhecimento de Jesus. Toda a nossa atenção agora deve se concentrar em Cristo.
Os adventistas alegam que o mandamento do sábado compõe as dez palavras da aliança escritas por Deus, é imutável e sua transgressão quebra os demais mandamentos.
Se isso é verdade, então Jesus quebrou os demais mandamentos porque ele violava os sábados, inocentou seus discípulos ao transgredirem o sábado. Tiago ao dizer "qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos" (Tg 2.10) tinha em mente a lei do Reino, ou o mandamento do amor que dizia: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo"...(v.8), que no contexto podia ser diluído em dois básicos mandamentos (não adulterarás/não matarás) sem prejuízo dos demais outros (honra teu pai e tua mãe, não roubarás, não dirás falso testemunho, não cobiçarás) que os próprios adventistas admitem que são os seis mandamentos dos dez que definem nosso amor ao próximo, enquanto os primeiros quatro, definem nosso amor a Deus. Então, óbvio que quem não adulterava, mas porém matava tornava-se transgressor da lei do amor (v.11). Quanto ao sábado, nem mencionado foi; e sua inobservância não quebrava o princípio do amor ao próximo nem do amor a Deus, porque o sábado foi dado a Israel, como sinal entre Deus e o povo (Êx 31.16-17; Ez 20.12). Eles não podem dizer que Jesus foi transgressor da lei do amor por violar o sábado! O apóstolo dos gentios quando sintetizou a lei, nem menção ao sábado fez, antes deu o amor ao próximo como cumprimento da Lei (Rm 13.8-10). Os adventistas rebatem dizendo que nem também "honra teu pai e tua mãe", "não dirás falso testemunho" foram mencionados por Paulo e nem por isso são inválidos. Sim, mas Paulo conclui dizendo: "e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (v.9). Não dá para jogar o sábado aqui se os próprios adventistas admitem que o mandamento do sábado compõe os mandamentos que regulam o nosso amor a Deus. Mas, mesmo se fosse assim, Paulo desmente ao dizer que amar o próximo é o cumprimento da Lei. Então, uma Lei específica para Israel, contingencial e não moral não era a base para ser levada em conta no cumprimento da Lei.
Outro ponto contra eles é que o sábado não é um mandamento como os demais em seu caráter moral, pois foi criado, mas os demais são tão eternos quanto Deus, pois sempre existiram na natureza santa e amorosa de Deus. O dia do sábado foi santificado e abençoado. Nenhum outro mandamento precisou de tais incrementos. Mais ainda, Jesus se declara Senhor dele, podendo até violá-lo. Mas com relação aos demais mandamentos, jamais caberia violação pois retratam a natureza santa de Deus e de Jesus, Deus não pode negar-se a si mesmo. Jesus não adorou a Satanás por causa do mandamento (Mt 4.10), Jesus não matou, nem mesmo quando podia apedrejar uma adúltera (Jo 8.10), Jesus honrou seus pais (Lc 2.51), Jesus nunca proferiu falso testemunho (Jo 8.14), nunca adulterou, nunca cobiçou. Mas quanto ao sábado? Precisamos nem falar! Nem por isso pode haver culpa ou pecado no Santo Filho de Deus.
O que se pretende aqui não é proibir nem muito menos recomendar a guarda do sábado, nem sustentar que o dia apropriado agora é o domingo. Não, porque senão estaríamos ferindo o princípio de Romanos 14.5,6. A nossa luta é contra o engano de que o sábado é o selo de Deus; e que é o mandamento obrigatório para a verdadeira igreja de Deus; e que os que trocam o sábado pelo domingo "romano" estão aceitando a marca da besta. Sábado não é parâmetro de espiritualidade, santidade e aprovação divina. Paulo diz que nós somos a verdadeira circuncisão, nós os que adoramos pelo Espírito e não nos gloriamos na carne (Fp 3.3). Nenhum suposto "selo" é colocado no crente guardador do sábado. O verdadeiro sinal é a circuncisão de coração, que se consiste na adoração em Espírito e em verdade, independente de local ou dia (Jo 4.21-23).
Colossenses 2: 16. Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, 17. que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo.
Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com vosso espírito amém!
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